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    Retirar os carboidratos da dieta é a chave para a redução da gordura corporal?

    Entenda como a retirada dos carboidrato afeta o seu corpo e descubra se esta é a retirada ideal da dieta em busca da redução de gorduras.

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    Os carboidratos sempre foram tratados como os nutrientes de alta densidade calórica, que produzem energia ao corpo e que precisavam ser consumidos, pois na antiguidade o ser humano era mais ativo e gastava muita energia, por isso a reposição da energia precisava ser do mesmo tamanho ou até maior. Com o passar dos anos e com a chegada de novos estudos e tecnologia, aprendemos que o carboidrato não é a unica fonte de macronutriente que pode fornecer energia, porém ainda continua sendo a primária.

    Junto da tecnologia vieram os novos alimentos, veio a facilidade em obter o alimento e toda a energia gasta antes foi deixando de ser gastada, fazendo com que as pessoas engordassem com mais facilidade, comessem com mais facilidade e os carboidratos foram se tornando o “vilão” dos macronutrientes. Passou-se então a existir as dietas que eliminavam os carboidratos da alimentação, fazendo com que a ingestão calórica fosse diminuída e que a perda de gordura fosse aumentada… Mas pera aí, será que realmente a retirada dos carboidratos é a chave para uma dieta de perda de peso de sucesso?

    Os principais efeitos dos carboidratos no corpo humano

    Este sub-titulo é um pouco mais técnico e de difícil leitura, porém muito importante entender todo o processo para podermos entender o resto do artigo como um todo. Caso queira, pule este sub-titulo e vá para os demais e caso termine o artigo sem entender, volte e leia-o.

    A digestão dos carboidratos ocorre primariamente na boca, principalmente pela ação de amilases que começam a hidrolisar as primeiras partículas de amido. A digestão não ocorre na passagem do alimento entre o esôfago e o estômago. No estômago, a amilase saliva é inativada pela mudança de pH.

    Já no intestino delgado, os carboidratos sofrem a ação de outras enzimas, como a amilase pancreática, que começa a hidrolisar partículas de amilose e amilopectina e ainda no intestino delgado, sofre a ação ainda da isomaltase, sacarase, maltase e lactase, fazendo com que finalmente os monossacarídeos sejam liberados e possa ocorrera absorção dos mesmos. Caindo na corrente sanguínea, esses monossacarídeos possuirão destinos básicos, sendo eles: utilização por tecidos os quais não são dependentes de insulina; utilização por tecidos insulino-dependentes através de sinalizações realizadas pela insulina (que é liberada). No primeiro caso, tecidos como o cerebral logo utilizarão esses carboidratos para gerar energia para a célula. No segundo, além de gerar energia para a célula, esses carboidratos podem sofrer sínteses os quais os transformarão em glicogênio, por exemplo, no fígado e no tecido hepático ou mesmo no panículo adiposo, sendo convertidos em triacilglicerol e armazenados como gordura corpórea. Além disso, deve-se considerar que caso haja no corpo estoques suficientes de glicogênio, o mesmo também será convertido em triacilglicerol e armazenado como forma de gordura corpórea.

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    Basicamente, esses carboidratos ao entrarem nas células para serem usados como energia, passam pela glicólise, ou seja, pela quebra da glicose a fim de gerar ATP. Esse ATP então é utilizado como energia, gerando dois “produtos” de piruvato, os quais podem ser convertidos em lactato, indo para o ciclo de Cori ou mesmo em Acetil-COA, qual, neste caso, entrará para o ciclo de Krebs.

    Os resultados são novas produções de ATP os quais não nos convém falar nesse momento. Porém, é entendível que todos esses processos ocorrem de maneira muito fácil e rápida quando comparados com os de outros macronutirentes.

    Além disso, devemos ter bem claro que as sinalizações insulínicas são altamente anabólicas, inclusive para o panículo adiposo, contribuindo para a armazenagem de gordura corpórea. Outros hormônios ainda são produzidos na presença de carboidratos, que podem inibir a lipólise, o que contribui ainda mais para esses fins.

    A retirada dos carboidratos da dieta pode afetar o corpo?

    Sem sombra de dúvidas! E é por isso que dieta low carb (baixo carboidrato) NÃO deve ser confundido com dieta SEM CARBOIDRATOS. Isso quer dizer que certas reduções, por questões óbvias, nos níveis de carboidratos podem ser interessantes e apenas isso.

    Porém, quando retiramos por completo os carboidratos da dieta, poderemos apresentar efeitos como:

    • Aumento do catabolismo muscular (em especial pelo aumento do cortisol);
    • Dificuldade na recuperação muscular e na síntese de glicogênio;
    • Dificuldade na absorção e peptídeos como a creatina;
    • Dificuldade na manutenção hídrica do corpo;
    • Dificuldade na produção de hormônios como a serotonina, essenciais no humor e no dia a dia;
    • Aumento da acidose sanguínea;
    • Relativa diminuição na síntese proteica;
    • Dificuldade no balanço nitrogenado positivo.

    Portanto, são muitos os efeitos negativos que devem ser ao máximo evitados.

    Corpo humano, um equilíbrio

    Falar do corpo humano sem falar de sua tremenda busca pela homeostase é como falar da França sem a torre Eiffel, ou seja, impossível. Dessa forma, o corpo sempre está buscando mecanismos para alcançar a homeostase, a qual somente é encontrada na morte. Entretanto, é justamente essa busca que o mantém ativo e vivo.

    A grosso modo, dizer que o corpo possa funcionar sem uma boa distribuição do que lhe é fornecido em termos de hidratação, alimentação, os estímulos que são propostos a ele, como as atividades físicas, o descanso propiciado entre outros é nulo. Para que realmente ele esteja em boas condições, por mínimas que sejam, é necessário certo equilíbrio em tudo que se faz.

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    Se tratando especificamente da alimentação, quando temos a presença em grandes quantidades de determinada substância, composto ou seja o que for, o corpo seguirá mecanismos para eliminar aquele que está em excesso ou fará com que ele seja, de alguma forma armazenado no mesmo. Isso, quando esse composto e/ou substância não será um efeito extremamente tóxico.

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    É óbvio que quando ingerimos carboidratos em excesso, eles serão convertidos em gordura corpórea. E é claro que quando ingerimos QUALQUER macronutriente em excesso, ele também será estocado em forma e gordura corpórea. Os carboidratos muitas vezes estão associados diretamente com o ganho de gordura corpórea, pois são facilmente metabolizados pelo corpo pelo aparelho que o mesmo tem que é destinado principalmente a estes. Aliando ainda os processos insulínicos que são desencadeados pelos carboidratos, temos então uma combinação perfeita para tais resultados.

    Porém, temos de entender que o corpo humano se faz através de um equilíbrio. Simplesmente retirar todo carboidrato da dieta, prejudicará, por exemplo, a produção de AMPk, que resultará em uma dificuldade na utilização da gordura corpórea para a gliconeogênese, ou seja, prejudicando a produção de energia por ordem dos lipídeos (o que resultaria na redução da gordura corpórea). Além disso, essa brusca redução causa uma queda metabólica, quando a longo prazo.

    Simplesmente retirar os carboidratos da dieta não é a chave do emagrecimento. Se estivermos supercompensando o corpo com outros macronutrientes, o saldo energético (que é o mais importante) continuará o mesmo ou em muitos casos até maiores.

    Portanto, devemos entender que o equilíbrio entre os macronutrientes é a chave para o sucesso.

    E qual o equilíbrio entre os macronutrientes?

    É difícil propor uma média sobre qual deve ser o equilíbrio entre os macronutrientes aos diferentes indivíduos, quem dirá ter noções precisas. Obviamente, isso se deve ao fato não de que esse seja um assunto não bem entendido, mas porque cada corpo sendo um corpo, cada qual reagirá de uma tal forma frente a diferentes condições devido às suas condições fisiometabólicas diferentes, além de deixar em alta a modalidade esportiva e o objetivo do indivíduo.

    Nem mesmo o biótipo corpóreo pode definir em como essa distribuição pode ocorrer. Um clássico exemplo é a recomendação para que ectomorfos consumam maiores quantidades de carboidratos, porém existem alguns que NÃO respondem bem a esse consumo e acabam se beneficiando mais com maiores consumos de lipídios como fonte energética. O mesmo vale  para endomorfos que muitas vezes se beneficiam com maiores quantidades de carboidratos e assim por diante. É ainda bastante peculiar que um indivíduo possa responder de diferentes formas no decorrer de um ano ou no decorrer de sua vida: Quantas vezes você já sentiu que estava com o metabolismo mais rápido e que poderia comer mais? E quantas vezes, mesmo comendo pouco você se sentia mal e parecia lotado? Pois bem, o corpo também varia diariamente com suas respostas a estímulos fisiológicos diversos.

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    Não é porque você irá retirar um único macronutriente da dieta que irá perder peso. Aliás, seja por efeitos rebote, seja por efeitos relacionados a queda do metabolismo ou outro fator qualquer, há grande tendência para o aumento de peso e/ou da adiposidade em um indivíduo que retira por completo os carboidratos da dieta.

    Mais do que ter regras precisas, é necessário entender que um conhecimento frente a uma anamnese e tentativas as quais possam avaliar na prática qual é o melhor caminho para você individualmente, atingir seus resultados através de uma boa distribuição ente proteínas, carboidratos e lipídios na dieta. Claro que, para isso, muitas vezes a tentativa e erro são indispensáveis. E é importante dizer que essas tentativas e erros devem acontecer com certa distância e que você necessita de maiores especificidades no seu corpo.

    É válido por fim, lembrar que alguns carboidratos são fontes de micronutrientes importantes e de fibras alimentares, os quais o suprimento ao corpo é indispensável. Entre eles podemos citar o zinco, o cálcio, algumas vitaminas do complexo B, magnésio entre outros, na classe dos micronutrientes e, fibras solúveis e insolúveis no segundo caso.

    Há algo que, particularmente me agrada que é o da redução e/ou retirada dos carboidratos da dieta por um ou dois dias na semana, fazendo com que o corpo esteja sempre ativo e mantenha-se acelerado.  Da mesma forma que muitas pessoas visam um alto consumo de carboidratos em um dia da semana, enquanto “zeram carboidratos” nos outros dias, há algumas propostas que mantem protocolos contrários a esse, ou seja, mantendo alta ingestão de carboidratos a maioria dos dias e mantendo-se em menor consumo uma ou duas vezes na semana.

    Portanto, não tenha medo! Enfrente essa descoberta de seu próprio corpo!

    Conclusão

    A retirada completa dos carboidratos da dieta não é algo vantajoso. Diferente de dietas low carb, onde certa aplicabilidade é encontrada, as dietas sem carboidratos bem como a retirada dos carboidratos da dieta não são a chave para o emagrecimento. É necessário manter um consumo adequado dos macronutrientes para que o corpo esteja com condições saudáveis e continue o processo de queima de gordura de maneira eficaz.

    É importante conhecer a boa distribuição dos macronutrientes para seu corpo (muitas vezes através da tentativa e erro) e, principalmente, saber optar por bons alimentos e que se adequem às suas necessidades individuais.

    Boa alimentação!

    Artigo escrito por Marcelo Sendon (@marcelosendon)

    Um Comentário

    1. paulo 1 ano atrás


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